Cynthia Ladvocat

Cynthia Ladvocat

Cynthia Ladvocat

Sempre estive voltada para as questões da família. Nos estágios em clínica infantil, atendia somente a criança e não concordava em excluir os pais do processo. No Brasil, na década de 70, o referencial teórico-técnico aplicado era o psicanalítico. Os conhecimentos na área da família vinham do exterior e eram limitados. No início da prática, eu buscava integrar a Psicanálise a outras teorias que me ajudassem no trabalho com casais e famílias. Ao concluir a graduação na PUC-Rio em 1976, cursava a especialização em terapia do comportamento, que foi durante 6 anos uma rica experiência com crianças com necessidades especiais. Fundei em 1981 o GRUPSI – Terapêutica e Estudo da Criança e da Família, que funcionou até 1989 com estágio, estudo e atendimento supervisionado.
Busquei em 1982, na Sociedade de Psicoterapia de Grupo, a formação sobre Grupos Analíticos, Operativos e Familiares e tive como supervisores os PIONEIROS da primeira geração em Terapia Familiar. No CEFAC, de 1985 a 1989, sob a coordenação de Lucia Ripper, iniciei a Especialização em Terapia de Família (800 horas) com atendimento em sala de espelho e supervisão ao vivo, um recurso inédito na época. Tive a oportunidade de ser supervisionada por professores convidados, entre eles Maurizio Andolfi. Coordenei, de 1986 a 2000, o GRUPO DE SUPERVISÃO com enfoque na dinâmica familiar com supervisionandos, muitos que hoje são sócios da ATF-RIO.
Em 1987 iniciei formação na Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro, onde o estudo sobre inconsciente, os sonhos e o vínculo terapêutico, muito contribuiu para a compreensão do mundo intrapsíquico. Com as minhas atenções voltadas para o interpessoal, me encantei com as teorias de Winnicott, que não via o bebê a não ser na relação com sua mãe. Em 1990 participei do trabalho de orientação psicanalítica e sistêmica no COJ do Instituto Fernandes Figueira, onde pude comprovar que abordagens diferentes ampliam as possibilidades terapêuticas. Concluí a formação psicanalítica em um estágio de 500 horas no Instituto de Psiquiatria da UFRJ. Junto ao paciente psiquiátrico eu pesquisava, através do genograma, a história da patologia na relação familiar.
No Instituto Mosaico em 1992 participei da formação de 4 turmas de Especialização em Família e permaneci na equipe até 1998. Para contemplar meus conhecimentos sobre todas as faixas do ciclo vital, iniciei na UFF a Especialização em Gerontologia e Geriatria Interdisciplinar, onde passei a ministrar seminários sobre o idoso e a família. Em 1995 fiz o Practicum na Accademia di Psicoterapia della Famiglia, com um intenso trabalho sobre minha família de origem. Retornei a Roma nos dois anos seguintes e levei 2 grupos para conhecerem a técnica de Andolfi. Em 1996, a convite de Mony Elkaïm, fui para Londres e me filiei à European Family Therapy Association – EFTA. Através de meu trabalho com adoção, busquei em 1997 a Associação Brasileira Terra dos Homens. Supervisiono os atendimentos da equipe nos diversos projetos e coordeno o Grupo de Reflexão sobre Adoção. A Terra dos Homens hoje capacita profissionais na Abordagem Sistêmica em todo o país e inicia a 4a turma no Trabalho Social com Famílias. Na área de proteção à infância e adolescência, desenvolvo a competência do profissional frente ao direito da criança à convivência com uma família – biológica ou adotiva. Minha tese do Mestrado na PUC-Rio sobre Mitos e Segredos sobre a Origem da Criança na Família Adotiva foi publicada.
Na ATF-RIO participei da Comissão Organizadora do III Congresso Brasileiro de Terapia Familiar, exerci as funções de Diretora de Comunicação, Vice Presidente, Presidente e faço parte da Comissão de Formação do CDC da Abratef. Ministro cursos e palestras em várias regiões do Brasil e presto consultoria à imprensa escrita e falada sobre temas diversos. Neste ano de 2004, como membro efetivo e docente do Conselho Diretor da Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro, divulgo a área de Família em supervisões, seminários, grupos de estudo e jornadas. De certa forma, introduzi colegas psicanalistas ao pensamento sistêmico, principalmente como presidente da ATF-RIO, cujos eventos científicos acontecem no auditório da própria SPRJ. Não me sinto exatamente como uma pioneira. Identifico-me como uma terapeuta de família de segunda geração, formada por pioneiros. Continuo, depois de quase 30 anos, na minha vocação de agregar meus alunos, supervisionandos, colegas e amigos ao movimento de terapia de família.

Cynthia Ladvocat é Membro Docente da Sociedade Psicanalítica do RJ; Membro da European Family Therapy Association; Mestre em Psicologia e Presidente da ATF-RIO – Gestões: (2002-2004 / 2004-2006 / 2008-2010)

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