Otimismo x Pessimismo

Otimismo x Pessimismo
Especialistas discutem até que ponto uma visão positiva acerca das adversidades ajuda a ter mais êxito no trabalho, nos relacionamentos e na saúde e se há conseqüências reais para pensamentos pessimistas

Agência Notisa de Jornalismo Científico

O grupo de pesquisadores pediu que as pessoas imaginassem acontecimentos positivos e negativos que ou tinham acontecido no passado, ou que poderiam acontecer no futuro. A seguir, os voluntários mediram seu nível de otimismo (como um traço de personalidade) por meio de um teste psicológico padrão. Imaginar acontecimentos positivos futuros era acompanhado por atividade em duas áreas do cérebro que geralmente regulam a forma como as emoções afetam a memória e as decisões – a amigdala, incrustrada numa região profunda do cérebro – e a porção frontal do córtex cingular anterior (ACC), que se situa na parte imediatamente atrás dos olhos. Inversamente, a ativação nessas duas áreas caiu abaixo da média quando os voluntários imaginaram acontecimentos futuros negativos. Quanto mais otimistas as pessoas se consideravam, maior a atividade do córtex cingular anterior (ACC). Para Phelps, fez sentido a participação do córtex cingular anterior, uma vez que combina com pesquisas anteriores.”Quando uma pessoa está com uma predisposição mental positiva, encontra-se maior atividade nessa região”, ela aponta. “De maneira geral, o córtex cingular anterior poderia estar atuando como um centro de convergência para os sinais de outras partes do cérebro que alimentam o modo como nos sentimos sobre os acontecimentos”, sugere Phelps. “Achamos que esta seja uma região reguladora geral, que possa mediar a tendência que temos de pensar de maneira otimista”.

Mulheres com câncer que recebem apoio do parceiro mostram mais otimismo e melhora na qualidade de vida
Esse trabalho interrelaciona-se muito bem com um outro trabalho sobre as redes cerebrais que estão envolvidas com o ato de lembrar o passado e imaginar o futuro. A equipe de Dan Schacters, na Universidade de Harvard, em Cambridge, Massachusetts, vem estudando esses processos pelos quais as pessoas recordam acontecimentos não-emocionais e encontraram regiões muito semelhantes em atividade. “É uma complementação muito boa ao tipo de trabalho que a gente vem fazendo”, ele afirma. “A conexão interessante, aqui, é com o ACC (córtex cingular anterior) – que é uma região na qual os pacientes deprimidos mostram decréscimo de atividade”, diz. Pessoas com depressão são mais pessimistas e encontram dificuldade para imaginar eventos futuros sob uma ótica positiva. Phelps concorda que esses resultados podem fornecer pistas sobre os mecanismos subjacentes da depressão. Não está claro, no entanto, de que forma isto pode afetar tratamentos futuros.

PEQUENO X GRANDE OTIMISMO


Otimismo e felicidade
Otimismo e felicidade não são a mesma coisa. Otimismo é um tipo de mecanismo; é uma crença a respeito do futuro. Crenças otimistas configuram um ciclo de feedback positivo porque quanto mais otimista a pessoa for, maiores as expectativas de vivenciar o futuro positivo que visualiza.

(Fonte: Desmitificando a lei de Murphy)

Quando analisado sob a ótica da Psicologia positivista, o otimismo passa a ser bem mais amplo que simplesmente esperar o melhor em uma situação de adversidade, como explica o professor do departamento de Psicologia da Universidade de Michigan, Christopher Peterson, no artigo O futuro do otimismo. Na análise, ele faz a distinção entre dois tipos comportamento: o pequeno otimismo (little optimism) e o grande otimismo (big optimism). O primeiro caso inclui expectativas específicas sobre resultados positivos, como “eu irei encontrar uma vaga suficientemente espaçosa para estacionar nesta noite”. Já o grande otimismo se refere a expectativas maiores e menos específicas do tipo “deverá acontecer alguma coisa boa para nosso país nos próximos meses”.

De acordo com Peterson, a distinção entre os dois tipos mostra que o conceito pode ser descrito em diferentes níveis de abstração e pode funcionar de forma diferente, dependendo de como for empregado. “O grande otimismo pode ser uma tendência biologicamente dada que é preenchida por uma cultura com uma satisfação socialmente aceitável; isto leva a resultados desejáveis uma vez que produz um estado geral de vigor e resiliência. Em contrapartida, o pequeno otimismo pode ser o produto de um aprendizado histórico idiossincrático; ele leva a resultados desejáveis porque predispõe ações específicas, que são adaptativas em situações concretas”, explica.

De acordo com Peterson, a distinção entre os dois tipos mostra que o conceito pode ser descrito em diferentes níveis de abstração e pode funcionar de forma diferente, dependendo de como for empregado. “O grande otimismo pode ser uma tendência biologicamente dada que é preenchida por uma cultura com uma satisfação socialmente aceitável; isto leva a resultados desejáveis uma vez que produz um estado geral de vigor e resiliência. Em contrapartida, o pequeno otimismo pode ser o produto de um aprendizado histórico idiossincrático; ele leva a resultados desejáveis porque predispõe ações específicas, que são adaptativas em situações concretas”, explica.

Segredos dos otimistas
O livro mostra que o importante não é o que pensamos sobre o futuro, mas o que fazemos para assegurá-lo. Enquanto os pessimistas imaginam se suas metas não são alcançáveis, os otimistas trabalham para conquistá-las. Misturando senso de humor e ciência na medida exata, a pesquisadora convencerá até mesmo o mais cético que um futuro brilhante está mais perto do que ele pensa. Suzzanne C. Segerstrom é Ph.D. e livre-docente em psicologia da Universidade de Kentuchy. Dedica-se a pesquisar a influência dos fatores psicológicos no sistema imunológico e na relação entre otimismo e bem-estar.

Desmitificando a lei de Murphy Por Suzzanne C. Segerstrom Editora BestSeller 238 páginas Preço: R$ 29,90

O psicólogo positivista continua o raciocínio em seu artigo dizendo que, empiricamente, as duas vertentes estão relacionadas. Contudo, ressalta que é possível encontrar pessoas pouco otimistas, mas grandes pessimistas ou ainda situações em que o grande otimismo tem conseqüências desejáveis, mas o pequeno otimismo não, e vice-versa. “Os determinantes dos dois tipos podem ser diferentes, e as formas de encorajá-los podem, então, requerer estratégias distintas”, ressalta. Christopher Peterson ainda diz que os estudos cujo intuito é mensurar o grau de otimismo das pessoas raramente incluem mais de uma medida ao mesmo tempo e, quando as utilizam, estão mais voltados para perceber como elas convergem do que com a possibilidade de se ter diferentes modelos de correlatos.

“PARA A PSICOLOGIA POSITIVA O
OTIMISMO SERIA UMA RESISTÊNCIA
HUMANA QUE ATUA COMO
PROTEÇÃO ÀS DOENÇAS MENTAIS,
ASSIM COMO CORAGEM, HONESTIDADE, FÉ”

Especialistas acreditam que pessimistas estariam mais propensos ao desamparo e à depressão
Opostos que não se opõem Seguindo o exemplo do que acontece quando analisado isoladamente, o significado do conceito de otimismo, quando comparado com o de pessimismo, não é tão claro como pode parecer à primeira vista. Peterson também comentou o fato em O futuro do otimismo, dizendo que os termos não são mutuamente exclusivos, ao contrário do que muita gente pensa. Para exemplificar a opinião, propôs uma análise mais elaborada dos itens que compõem o Teste de Orientação da Vida (LOT), que avalia o construto de otimismo a partir de expectativas em relação a eventos futuros.

Além de ter as correlatas positivas mais fortes que as negativas, o formulário guarda uma curiosidade: as atribuições sobre eventos ruins são identificadas tanto com otimistas ou pessimistas, o que não acontece com situações positivas. Segundo Peterson, a crítica não é aparente e pode ser encarada como “uma chateação metodológica”, mas não deixa de ser importante, considerando a possibilidade de alguém esperar tanto coisas boas como ruins para ser bem-sucedido. “A pesquisa levou a uma compreensão aumentada destes estados problemáticos. Deve ser avaliado que o ponto zero destas típicas medidas de conseqüências significa, respectivamente, não ser depressivo, fracassado ou doente. Se nós quisermos estender achados para abaixo do ponto zero do teste para oferecer conclusões sobre satisfação emocional, realização e bem-estar, podemos ou não pisar em terreno firme. Talvez o estilo explanatório baseado em atribuições sobre bons eventos seja mais relevante”, comenta.

“O PEQUENO OTIMISMO LEVA A
RESULTADOS DESEJÁVEIS POIS
PREDISPÕE AÇÕES PRÓPRIAS,
ADAPTÁVEIS EM SITUAÇÕES REAIS”


O otimista patológico aposta seu dinheiro confiante que vai ganhar, já o pessimista pode ser mais realista

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