COMO DRIBLAR OS CONFLITOS ENTRE MÃE E FILHA

O que fazer quando a relação vira um inferno, com brigas e confusões.

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“Eu sou meio aquela galinha e os pintinhos em volta. Eu gosto de proteger, passar a mão, mas ela não aceita muito”, conta a dona de casa Eusenda Gomes.

“Porque ela quer sempre manter perto, só que a gente está crescendo”, diz Monique Gomes, de 18 anos.

“E ela é muito rebelde”, afirma Eusenda.

“Nossa!”, rebate Monique. “Eu não acho que eu sou rebelde. Eu acho que rebelde é aquele filho, tipo, aquela menina, a Kaleitha. Eu digo para ela: ‘Mãe, você, às vezes, tem que ver umas filhas um pouco piores para ver que eu não sou rebelde, que eu não sou assim”, ela questiona.

“Eu já chorei muito à noite, pelo jeito de ela me tratar, pelas respostas que ela me disse”, revela Eusenda.

“Aí, a gente vai amadurecendo e vai vendo que a gente erra, vai tentando consertar”, reconhece Monique.

“Mas ela já apanhou muito”, admite Eusenda.

“De vez em quando, dou um beliscão assim”, conta a funcionária pública Laila Mendonça de Sá.

“Belisca, mesmo! Diz: ‘Cala a boca! Fica quieta!”, confirma a filha de Laila, Jaqueline de Sá Vermil, de 16 anos.

“Ela fala em voz alta, eu acho que tem lugar para tudo e momento para tudo”, explica Laila.

“Eu não consigo ter tanta autoridade do que ela”, comenta a securitária Gláucia Brito. “Então, às vezes, eles se acham donos da situação”.

“Cresci assim”, justifica Yasmim Seixas, 17 anos.

“Se ela quiser ir a algum lugar e eu falar não vai, ela vai”, diz Gláucia.

“A gente prefere ver, dependendo da situação, o errado, para ver se é errado mesmo”, defende-se Yasmim.

“Ela se sente uma adulta e o bicho pega lá em casa”, afirma a pedagoga Cimone Quintanilha.

Quando o assunto é “minha filha” e o universo da pesquisa é um site de relacionamentos, comunidades criadas por mães internautas trazem títulos fortes, como: “Minha filha é sem noção!”

E você, mãe, se identifica com esta comunidade: “Minha filha é rebelde”?

Outra mãe foi mais radical: “Tenho uma filha insuportável!” E um título que é quase um desabafo: “Como é difícil educar um filho”.

Por fim, com mais de três mil mães, a comunidade com o singelo nome de “Ser mãe é padecer no paraíso”.

“O ato delinqüente é um pedido de socorro”, esclarece Cynthia Ladvocat, da Associação de Terapia de Família do Rio. “Os pais devem prestar atenção. Que socorro é esse que o filho está pedindo? Mesmo que ela não tenha consciência disso. É uma busca e é uma fase que passa”.

Mas enquanto não passa… A filha da empregada doméstica Rogéria da Silva, assim como Kalheita, do documentário inglês, teve problemas na escola.

“Ela foi expulsa várias vezes. Ela foi expulsa do colégio três vezes”, lamenta Rogéria. “Eu ficava me perguntando: onde foi que eu errei, o que é que eu devo fazer? Ficava desesperada”.

“Ela já chegava me agredindo, na frente dos meus amigos. Eu não queria chorar”, diz a filha de Rogéria, Hanna Vieira da Silva, de18 anos.

Depois de muita briga, aconteceu o que Dona Rogéria temia: a filha saiu de casa. “É que a gente não sabe o que ela está passando, com quem ela está se envolvendo”, comenta Rogéria.

“A mãe tem medo que a filha sofra. A mãe tem medo que a filha se decepcione, que a filha a acuse de abandono. Então, esse medo que, às vezes, a mãe sente, ele acaba sendo prejudicial”, alerta Cynthia Ladvocat.

Desde o começo do ano, Hanna está morando com o irmão. “Eles querem a liberdade deles, eles querem fazer o que quiserem, entendeu? Não querem alguém mandando”, acredita Rogéria.

“Quando o jovem quer mais liberdade, ele precisa ter uma proteção. Quando ele tem liberdade demais, ele se sente abandonado”, observa Cynthia Ladvocat.

“Eu me sinto só, eu não tenho ninguém para conversar, eu não confio mais em ninguém”, queixa-se Hanna. “Estou arrependida de ter saído de casa, mas não disse isso para ela porque eu não tenho coragem”.

Lembra-se da securitária Gláucia Brito, aquela mãe que disse não saber impor limites à filha?

“Eu nunca soube dizer não”, reconhece Gláucia.

Gláucia está tentando consertar a relação. “Eu resolvi mudar um pouco a minha tática. Eu me aproximei mais e estou mais junto com ela nas coisas que ela gosta de fazer”, ela conta.

“Ela sai junto comigo. Às vezes, a gente vai para uma boate”, revela Yasmim.

“Foi uma maneira de eu estar de perto vendo o que me preocupa”, explica Gláucia.

Quem sabe, agora, Hanna e Rogéria também voltem a se entender. Pois as mães muito aborrecidas com a própria filha parecem ser a minoria. Quando o assunto é “minha filha”, a maior das comunidades que a gente encontrou na internet foi uma com mais de 135 mil mães: “Eu amo minha filha mais que tudo!”

COMUNIDADES:

Eu amo minha filha mais que tudo

Minha filha é sem noção

Minha filha é rebelde

Tenho uma filha insuportável

Como é difícil educar um filho

Ser mãe é padecer no paraíso

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