O CONFLITO DO PAI – 28 de dezembro

Além dos trâmites legais da adoção, incomoda os grupos de direitos humanos o fato de David Banda não ser órfão. Yohane, seu pai, é analfabeto e trabalha na lavoura, a cerca de 40 km do orfanato onde deixou o menino assim que sua mulher morreu. “A vida no orfanato não é boa. Deixamos nossos filhos lá porque não podemos cuidar deles. Agora meu filho foi levado por uma mulher de bom coração e essas pessoas querem trazê-lo de volta”, afirmou ele, num primeiro momento. No entanto, depois de dar várias declarações elogiando e apoiando Madonna, o pai de David parece ter voltado atrás. Em uma entrevista concedida por telefone à agência de notícias Associated Press no domingo, 22, ele disse que não imaginava que Madonna levaria o menino embora para sempre. “Tinha entendido que ela iria educá-lo e cuidar dele, assim como estavam fazendo no orfanato. Só agora estou compreendendo o significado da palavra adoção.” Possivelmente influenciado pelos grupos de direitos humanos do país, Yohane ainda afirmou: “Se tivessem dito que ela levaria meu bebê como se fosse dela, eu não teria consentido, porque não vejo razões para dar meu filho”.
Trata-se de uma mudança e tanto de postura. Na semana passada, Banda declarou à revista People: “Como pai de David, eu não vejo problemas (com a adoção), então qual é a preocupação deles (grupos de direitos humanos)? Eles estão com inveja ou quê? Eu só quero uma vida boa e uma boa educação para meu filho.” Banda afirmou estar satisfeito com a promessa de Madonna de levar o pequeno David de volta ao Malaui para visitar a família de três a quato vezes por ano. “Quando ele crescer e vir a pobreza em que vivemos, com certeza vai padir que ela nos ajude com um poco de seu dinheiro”, disse.
Madonna, por sua vez, disse que vai aprender o Chicheua, uma das línguas oficiais do Malaui, para poder entender as primeiras palavras do seu mais novo filho. Segundo um amigo dela e de Guy Ritchie, ela quer que David cresça conhecendo sua cultura africana e pretende ter uma casa no Malaui, para que ele possa visitar sempre seus parentes e sua tribo. “Não são somente as crianças órfãs que têm direito a uma adoção”, afirma a psicóloga e terapeuta de família com mestrado em adoção pela PUC-Rio Cynthia Ladvocat. “Crianças que não podem, por diversas razões, conviver com suas famílias biológicas também têm o direito a uma dinâmica familiar e não podem ser condenadas a viver em uma instituição até completar a maioridade.”

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