GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA CRESCE 50% – Jornal de Santa Catarina

Projeto garante assistência para mãe ficar com bebê e ainda ir à escola

ÂNGELA BASTOS/ Agência RBS / FLORIANÓPOLIS – Uma menina de 17 anos está grávida de quatro meses. A adolescente que mora em Tubarão, no Sul do Estado, faz parte das estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que revelam a proporção de 7,3% de jovens brasileiras entre 15 e 17 anos com pelo menos um filho. Entre 1994 e 2001, o número de adolescentes grávidas com menos de 15 anos, atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), aumentou em 50%. No ano de 2001, 25% dos partos realizados na rede pública foram de adolescentes.
Além das conseqüências psicológicas e sociais, a gravidez precoce traz um risco para a vida da menina e do bebê. Os dados foram apresentados ontem, no 6º Congresso Brasileiro de Terapia Familiar, no CentroSul, em Florianópolis, por Cynthia Ladvocat, presidente da Associação Brasileira de Terapeutas Familiares do Rio de Janeiro. “Estamos diante de um problema de saúde pública”, diz a terapeuta.
O parto é considerado de risco e o recém-nascido tem baixo peso, requerendo cuidados especiais, alertou Chyntia, ao apresentar o trabalho realizado pela organização não-governamental Terra dos Homens. Um trabalho pioneiro desenvolvido pela instituição, na zona Norte do Rio de Janeiro, mostrou que, apoiadas, as jovens mães podem ficar ao lado dos seus filhos e não entregá-los ao cuidado das avós. “Adolescente que é cuidada aprende a cuidar”, diz a terapeuta.
Acompanhamento semanal durante um ano
A atividade envolveu 10 meninas, de 12 a 17 anos, acompanhadas semanalmente durante um ano. Todas estavam grávidas e como incentivo receberam uma bolsa no valor de R$ 120, uma cesta básica e vale-transporte. Como contrapartida tinham que estar na escola. Envolvidas em situação de risco, participavam de encontros semanais e foram submetidas a exames pré e pós-natal.
O trabalho se estendeu às famílias das meninas e, quando possível, aos pais das crianças. Entre alguns dos resultados estão a permanência da mãe com o seu bebê e a prevenção a uma segunda gravidez, conta Cynthia. A terapeuta familiar sugere o aumento de políticas públicas voltadas à adolescência, e acredita que são necessárias mais campanhas de incentivo ao uso de preservativos.

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